Durante a nossa vida é interessante como a gente sempre aprende alguma coisa, e essa constatação se realça com datas especiais, sejam elas aniversários, mortes, natais, páscoa, enfim. A gente aprende que há momentos da vida em que precisamos ser psicodélicos, e que sim... esses momentos passam. Aprendemos a falar, a andar, amar. Aprendemos que amores acabam, sim, aprendemos, não entendemos.
Eu, por exemplo, aprendi que nem sempre o tamanho da televisão é inversamente proporcional à união de uma família. Bem, aprendemos também que nem sempre é possível se aprender algo, e que as pessoas morrem, ou melhor, aprendemos que nós morremos, alguns talvez só aprendam isso na prática, mas certamente aprendem.
Aprendemos a confiar nas pessoas, e desconfiar também, a gente aprende que a loucura é bem mais normal do que se imagina, aprendemos a ser loucos, a mentir, a esconder-mos por detrás de máscaras de segurança, a nos esconder dos crimes, da violência, aprendemos a trair, a irritar, a brigar. Aprendemos a discutir, aprendemos também que nem tudo na vida é tão ruim assim.
Aprendemos que epifanias de verdade são difíceis de acontecer, e que existem pessoas boas. Aprendemos que amor-próprio também é saber a hora de mudar para melhor e que na prática nem tudo pode melhorar.
Aprendemos que o mundo é lindo, mas fede, e que o aborto não é só um controlador de natalidades. A gente aprende que o tempo só corre quando a gente deixa... E que realmente têm coisas que só foram feitas pra nos irritar. Aprendemos que se alguns políticos não prestam, os outros são piores ainda.
A gente aprende que a Lei da Atração funciona realmente (pelo menos eu aprendi) e que mesmo assim não é o grande segredo da humanidade. Aprendemos que as coisas que não funcionam são pra gente sempre tentar e nunca conseguir. Aprendemos também que o nosso carro sempre acha uma vaga depois de procurar um pouco.
A gente, infelizmente, aprende que a Lei de Murphy é real e que nem sempre o pior computador é o nosso. A gente aprende que no fim da festa o álcool já não é assim tão divertido, tão pouco excitante.
A gente aprende que utopias existem, e que são tristes. Aprendemos que a vida é difícil, que para muitos é sofrida, mas para os que aprendem a enxergar ela é sempre bela. A gente com o tempo aprende que a vida não é injusta, ela é proporcional, equivalente.
Aprendemos que os bons presentes são os simples e que o coração não passa de um órgão, de músculos... Aprendemos que o escuro é nobre e que a pureza pode estar bem ai na sua genitália.
Eu aprendi que heróis existem e que eles morrem, como eu. Aprendi que o azar é só um contratempo e que os sonhos são pra gente não chorar.
Por isso eu digo: o mundo é lindo! E o céu não é azul para sempre (isso se você não aprendeu até hoje, um dia certamente vai aprender), confie em Deus, mas tranque bem a porta da sua casa, porque a vida, como eu disse, não é injusta, ela é proporcional.
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30 março 2008
24 junho 2007
sem_cerimônia
Ele puxa de um lado, e ela grita, realmente ela está nervosa, já que nunca fizera isso antes, claro, ela tinha algum conceito em relação a isso, já pensava como seria, e ficava nervosa.E ele a virava, mais uma vez a puxava, aquilo era estranho, dava muito mais trabalho do que era imaginado, ele começa a se atrapalhar, afinal, não tinha muito tempo, então era melhor correr e terminar aquilo logo.
Ela vivia sonhando com aquele dia, pensava que seria tudo perfeito, e não estava tão ruim assim, porém doía mais do que ela imaginava.
Agora ela estava indo de um lado para o outro com os solavancos e puxões que ele dava. Ela começara a transpirar mais que o normal, seus batimentos começaram a se acelerar, ela sentia que ele também suava muito, estava ofegante, puxando-a, e ela gritando. O ritmo foi ficando mais frenético, cada vez mais, agora já não doía mais como antes, ela experimentava agora uma sensação muito boa, que só aumentava enquanto ele ia de um lado para o outro, seus batimentos agora mais do que nunca estavam acelerados, seu corpo agora estava extasiado com a onda de emoção que percorria-lhe o corpo, que agora já estava bem suado, e sentiu seu coração se encher de alegria, enquanto ele dizia:
- Ficou um arraso! Mas também com um cabeleireiro desse! Agora vamos rápido que agente ainda tem que fazer a maquiagem e colocar o vestido, que já ta quase na hora do casamento!
Ela vivia sonhando com aquele dia, pensava que seria tudo perfeito, e não estava tão ruim assim, porém doía mais do que ela imaginava.
Agora ela estava indo de um lado para o outro com os solavancos e puxões que ele dava. Ela começara a transpirar mais que o normal, seus batimentos começaram a se acelerar, ela sentia que ele também suava muito, estava ofegante, puxando-a, e ela gritando. O ritmo foi ficando mais frenético, cada vez mais, agora já não doía mais como antes, ela experimentava agora uma sensação muito boa, que só aumentava enquanto ele ia de um lado para o outro, seus batimentos agora mais do que nunca estavam acelerados, seu corpo agora estava extasiado com a onda de emoção que percorria-lhe o corpo, que agora já estava bem suado, e sentiu seu coração se encher de alegria, enquanto ele dizia:
- Ficou um arraso! Mas também com um cabeleireiro desse! Agora vamos rápido que agente ainda tem que fazer a maquiagem e colocar o vestido, que já ta quase na hora do casamento!
03 junho 2007
odisséia_esmezurada

De enfadonhos que tornaram-se Fulano, Ciclano e Beltrano, por um orgulho de torno turvo e de um final não tão animado.
Era Fulano no seu lugar, que em circunstancias nem por ele executadas (e nem conscientes e almejadas) ali estava, e estava num querer bem querendo Ciclano, num querer de todo solitário e muito unilateral, já que Ciclano na verdade, (e bem verdade) queria era Beltrano, que... Então voltando voltando-se à dada seqüência da torpe e verdadeira história...
Ciclano estando em seu lugar, veio ter-lhe Fulano, que lhe queria, Ciclano não querendo Fulano e sim querendo Beltrano, dispensa o Fulano para haver-se com Beltrano, e de todo esse haver-se e dispensar-se, na confusão dessa devassa história Beltrano encontra-se em cena gora...
Beltrano agora em seu lugar, querido por Ciclano (que é querido por Fulano) num derradeiro e solitário cantarolar vê-se querendo (muito e querendo muito) o nosso dado Fulano, que por sinal, acaso ou por descuido, mostra-se querendo nosso querido Ciclano, que numa tristeza esmezurada, não é querido por Beltrano (a quem quer tão bem, assim estão estando).
Num soberbo desfechar de tão controverso conto, há de se haver resposta pra tão desdomada e curva história, de tão mal-grado que foi narrada, que nem mais o autor a comemora.
A Quadrilha de um Mestre imitada, a que roubada de outras fontes e então relacionada à peripécia de três jovens que é contada, que mesmo sem ou com final vazio, fica assim mesmo terminada.
02 junho 2007
maria_(de_retoques_à_falta_de_sorte)
Das faxinas de retoques e tristezas, Maria agora não levará de muito o nada, tem-se visto em estado de acudida, daí que pôs-se a pensar em sua vida.
Nascia a pobre menina pelada, careca e toda desdentada, completamente entontecida e estropiada, ganhava o mundo mais uma das suas pequenas, que no correr dos tempos passaria de menina à mulher calada.
Brincava Maria entre seus afazeres, já pequena tinha o seu atribuído, ajudar a mãe, auxiliar na comida dos meninos, na roupa que tinha de ser lavada, e na comida que tinha de ser servida.
Crescia Maria em sua terra pobre, sem pão, nem roupa para que lhe caísse bem ou ao menos pra que lhe servisse, seguia Maria num sofrimento amargurado, com seu angu queimado e seu tocinho gordo... Crescia Maria sonhadora, sem estudo e sem nenhuma instrução, crescia a menina que o mundo um dia diria não.
Maria de falar ligeiro, Maria de nada perfumada, de um sonho que vira pesadelo, Maria viu-se indo para a grande cidade. Ela ainda uma menina moça, ele o patrão, dono da casa. Num instante e de um vacilo ligeiro, Maria então engravidara.
Retirada da casa e sem ter nenhum dinheiro, Maria expulsa de seu ventre o filho avulso, e segue a vida casta e sem recursos, por um caminho curvo e sem tributos.
Maria vira faxineira, prostituta e uma faz-tudo, trabalha dia e noite, sem ter ao menos um motivo, nem sequer um objetivo. Passados os tempos dos duros e nada animados anos, Maria encontra um companheiro, que é servente de pedreiro, proprietário de um barraco na encosta do morro, Maria continua então no seu caminho torto.
Maria que gosta de novela das oito, Maria, que em toda sua vida, pencada de anos, nunca leu um livro, Maria que trabalha e acorda cedo, Maria, de uma história mais que comum, de novelas, da falta de livros, da vida sofrida e de segredos para os filhos.
Maria que vê o jornal nacional, Maria que toma coca-cola, Maria de retoques de costuras, Maria das faxinas obrigadas.
O mundo não de se deu com Maria. Agora da sua partida o mundo se encarrega, de uma vida que não teve muita sorte, agora o que aguarda Maria é o presente da vida... a morte.
Nascia a pobre menina pelada, careca e toda desdentada, completamente entontecida e estropiada, ganhava o mundo mais uma das suas pequenas, que no correr dos tempos passaria de menina à mulher calada.
Brincava Maria entre seus afazeres, já pequena tinha o seu atribuído, ajudar a mãe, auxiliar na comida dos meninos, na roupa que tinha de ser lavada, e na comida que tinha de ser servida.
Crescia Maria em sua terra pobre, sem pão, nem roupa para que lhe caísse bem ou ao menos pra que lhe servisse, seguia Maria num sofrimento amargurado, com seu angu queimado e seu tocinho gordo... Crescia Maria sonhadora, sem estudo e sem nenhuma instrução, crescia a menina que o mundo um dia diria não.
Maria de falar ligeiro, Maria de nada perfumada, de um sonho que vira pesadelo, Maria viu-se indo para a grande cidade. Ela ainda uma menina moça, ele o patrão, dono da casa. Num instante e de um vacilo ligeiro, Maria então engravidara.
Retirada da casa e sem ter nenhum dinheiro, Maria expulsa de seu ventre o filho avulso, e segue a vida casta e sem recursos, por um caminho curvo e sem tributos.
Maria vira faxineira, prostituta e uma faz-tudo, trabalha dia e noite, sem ter ao menos um motivo, nem sequer um objetivo. Passados os tempos dos duros e nada animados anos, Maria encontra um companheiro, que é servente de pedreiro, proprietário de um barraco na encosta do morro, Maria continua então no seu caminho torto.
Maria que gosta de novela das oito, Maria, que em toda sua vida, pencada de anos, nunca leu um livro, Maria que trabalha e acorda cedo, Maria, de uma história mais que comum, de novelas, da falta de livros, da vida sofrida e de segredos para os filhos.
Maria que vê o jornal nacional, Maria que toma coca-cola, Maria de retoques de costuras, Maria das faxinas obrigadas.
O mundo não de se deu com Maria. Agora da sua partida o mundo se encarrega, de uma vida que não teve muita sorte, agora o que aguarda Maria é o presente da vida... a morte.
13 abril 2007
intermináveis segundos_crônica
ela se afastava apreensiva, tentava não ultrapassar suas
expectativas, nem tirar conclusões precipitadas. ela tentava.
agora ela corria, apesar de que sentia-se tão estável como
uma rocha, aos que a viam, era uma mulher comum, parada, "será?"
ela pensava.
seria ela mesma se não estivesse ali, olhando, mas... ela
estava? não estivera correndo? afastando-se?
mantivera-se pensando... ou não? parecia tudo agora muito
confuso, suas partes de antes, que de tão estáveis harmonizavam-na,
agora oscilavam como papéis sob o efeito do vento, embaralhando-a.
tudo muito confuso, demasiado confuso.
dúvidas surgiam, inundavam-na, deveria?... não deveria?
tratou de optar por se aquietar, reavaliando-a.
acabou percebendo que tudo aquilo não passara de um mísero
segundo tedioso no qual passara em frente a vitrine da confeitaria.
ela entrou, e não resistiu, comprou o doce. quebrou o
regime.
expectativas, nem tirar conclusões precipitadas. ela tentava.
agora ela corria, apesar de que sentia-se tão estável como
uma rocha, aos que a viam, era uma mulher comum, parada, "será?"
ela pensava.
seria ela mesma se não estivesse ali, olhando, mas... ela
estava? não estivera correndo? afastando-se?
mantivera-se pensando... ou não? parecia tudo agora muito
confuso, suas partes de antes, que de tão estáveis harmonizavam-na,
agora oscilavam como papéis sob o efeito do vento, embaralhando-a.
tudo muito confuso, demasiado confuso.
dúvidas surgiam, inundavam-na, deveria?... não deveria?
tratou de optar por se aquietar, reavaliando-a.
acabou percebendo que tudo aquilo não passara de um mísero
segundo tedioso no qual passara em frente a vitrine da confeitaria.
ela entrou, e não resistiu, comprou o doce. quebrou o
regime.
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