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19 julho 2010

verniz

assino revista intelectualóide,
enquanto levanto meu chop lá perto dos 'brow'.
assumo postura apóstólica em verso de drummond
e não esquento de errar meu português e deixar pra depois.
cativo olhando o borrão do xerox dum miró
na capa do meu caderno feito à mão
e ouço convicto um concerto pra piano de chopin
no meu mp3 da liquidação.
finjo que entendo o balet do Bolshoi,
faço poses para fotos cult de photoshop,
entro na atmosfera dos fracos
e como petiscos na vernissage de fotos/emulação.
entro na conversa dos outros,
faço retrato do que eu já posso ser,
rio escondido das gafes de tudo
e conto estórias pra ninguém entender.

é questão de misturar o que é certo
com visão de gente que nunca pode mais ver.
será simples viver num só lado da estória
ou simplesmente deixar a história correr?

06 maio 2009

[de_tempo]

não me peça pra lhe dar tempo
quando o tempo a todo o tempo
dura o tempo que tem que durar
nem me diga coisas de querência
quando o dia é todo cor
e a dobra do encontro faz só descansar
e não me impeça de me achar um bobo
de às vezes me embolar todo
dobrando no vento que vem dispersar
não espere muitas palavras boas
nem minhas frases feitas
profusões sonantes
coisas de esperar
só me peça um tempo bom
a cor, o vento, o bobo,
a dobra de um sorvete tolo
e um dia pra se acabar
só não me peça pra lhe dar tempo
quando o tempo a todo o tempo
sempre insiste em não passar

10 janeiro 2009

looking for the main ideas

ela talvez não se depara agora com o que se forma,
o dia, a forma, a cor, a dobra, a norma, a caça, o que informa
e o parecer do dia encontra-se no verso mais contente
do paradigma indefeso que se apronta lento e solitariamente

é ilusão a poça fraca que reflete em instantâneo
a praga inversa de um dia bom vivido intensamente
apaga o rosto, espelho, dorso, armário, o quanto o sexto o quarto
escuro é o que resta quando o dia já não é mais claro

04 janeiro 2009

simples de rimar

valor disforme, coisa boa de notar
cabou rastando sem beira
sentou, danou me falar
levou de mim palavras boas
me trouxe o que é bom de escutar
e me conta contar dele
e ser eu mais simples de falar
mas ele é filme antigo
quando roda, faz a tela tremular
rapaz que cabe no tanto de homem que lhe escapa
homem dentro do esboço do rapaz que não disfarça
rastado vem sorrindo, me convém, já que o filme vai começar...

20 novembro 2008

[coisas_de_boceta_|_de_maria_e_calibreta]

cuida de sua boceta, maria
que de serelépe tanto quase dança no vento
cuida pra que seja ela mais sua
cuida com encanto, num invento e no entanto
nem que seja isso só em pensamento
cuida da presteza do intervalo das nobrezas
e firma um só intento na diversa controvérsia
deixa amar um pouco sai do limbo das tristezas
e conta o conto afinco, com esmero em amnésia
olha o vento torto, que leva sua buceta
cuida dela, amena, coisa intrínseca e serena
leva a dança híbrida e congela a calibreta
cuida dela que dança, serelépe em torpe cena

16 novembro 2008

[e_que_nem_sei...]

Entre as tantas que são vazias
E as poucas que são distantes
Guardo algumas crises não vividas
E mistérios sem consoantes
Fui quase criando um jeito novo
Uma idéia nada genial
Falo de mim como falo de pouco
E do pouco que o mim tem de animal

Que gasta tantas palavras e diz um ponto
Que cobre uma linha inteira e conta um conto
O mim que vive esperando coisas inexistentes
Abrumando nas coisas o que há de contente
Eu que nunca ganhei um poema
Que espero por alguém que me ensine a chorar
Que vou criando estórias e reservando conceitos
Que escrevo tanto sobre o amor
Sem nem saber direito o que é amar

[poema batizado por alice
[menina que cabe dentro do vidro de mulher]

08 novembro 2008

[suspiro:_breve_início_findo]

acabar-se num drama
pode ser coisa pouca que se ache riso
ferir-se no tempo que lança
pode fazer do tudo um grande tudo findo
apronto em repartir-me
no meio das coisas mais lindas do mundo
onde o mundo todo é forte
o drama todo é pouco
e o imenso tudo é findo

02 novembro 2008

[no olhar do moço andante]

Coisas de menino moço
Num humor de bom agrado
Centauro mitológico nos contos absortos
Mineiro em jeito torto,
Pequeno e tão gelado
Olha o moço alegre passear nas gotas de chá
E veja se ele pode lhe contar as estórias do mundo de alguém
Ou se apenas lhe conte estória de seu mundo
Homem de horas imprevistas
Cabível em tantas entrevistas
É um livro que não passa batido
Razão que as imagens comprovam um destino
Ele é efeito
Surtido no meio de tantas outras coisas bonitas
Mero ancião do leito de uma história viva?
Achado eleito tão bonito em curvas retilíneas...
Centauro é retícula
Coisa de muita importância
Como uma nuvem completando o céu de tempestade
Ou listras na camisa sua de muitas andanças
René é som findo
Que encanta enquanto toca fino
E que basta uma vez ouvi-lo
Pra saber que nele, lá dentro, em meio a som tão denso
Há sempre um menino


[esse foi de presente pra René Lommez][parabéns queridão]

07 outubro 2008

[rastar]


cabei de cabar do nada que me resta pra dizer
esqueço ou não esqueço o dever que tenho que fazer?
o dia passou tão rápido que o tempo não muito durou
o rastro se arrasta pelo sonho daquele que nunca amou
quem nunca amou tem sonho arrastado do rastro
e o tempo que não dura fez o meu dia passar rápido
esquecer o dever é fazer ele não se esquecer de você
e agora cabei de cabar do resto que me resta dizer
rastando o que já é rastado [...]

23 setembro 2008

[simplesmente_a_maria]

maria é minha personagem preferida
Ela é tão preta, É tão linda, É tão viva
E está lá no morro, na vitrine, ou na forma escolhida
maria se forma e reforma, morre nasce, vira diva
Ela é ponto, é a pausa, coisa crua do pensamento
maria que esforça, se controla, sorri junto do soluçamento
maria é um doce que derrete na língua, condimento
maria que nasce na beira do esboço
maria que nasce sem nenhum esforço
E que vira meu fruto de contentamento

[de_quando_maria_apanhou_da_vizinha]

maria se recompunha,
Levara uma tremenda surra
A vizinha batera em sua cara preta
Enquanto a vizinhança a chamava de burra
Correra, e a vizinha a pegara
Batia, e mais da vizinha apanhava
Deixou-se, até que a vizinha cansara
Voltou-se, pra olhar em espelho a cara inchada
maria chorou, de tempo dispunha
Lembrava-se a todo o momento do coro
E doía o inchaço na bunda
Mas logo depois de um tempo
Recompunha-se maria lustrada
Com seu óleo-de-peroba-de-costume
Pronta pra ter de novo a cara inchada

[querência_de_maria_na_dança]

maria queria dançar,
E como dançava maria,
Era leve como uma pena
Precisa feito navalha
Cortava no vento, que nem lança
Elevava o lugar que passava
De pés chatos
De mente insana
Conjunto de corpo liberto
Desenhava no chão com sua dança
E dançava de pés descobertos
Mas maria só queria dançar
E não dançava maria, no entanto
O trabalho pesado na feira
E os pensamentos passados na peneira
Já não lhe causavam assim tanto espanto

21 setembro 2008

[pra_não_esquecer_do_paint]

03 setembro 2008

insípido_

Da querência fez-se o ato
E em meio a rumores tortos de corpos descabidos fez-se o desgosto
Aberto em meios críticos fez-se em mente
E pelo meio destemido fez-se presente
A ocasião se abriu pra ele como fáceis rajadas
E a dor incisa em carne corta-lhe como vento
A insípida leveza dos corpos passando lentos
A cabeça latejando por entre o seu alento
Concentrado e já tão torpe ele, assim, andava
Pisando duro, castigando o chão temente
Cabia-lhe certeiro entre a cor e o que era ausente
E não temendo os erros dos quais se amargurara
Sem letras, sem som nenhum ele some
E dele o mundo não vai nem sentir falta
A querência de não fazer mais parte dele
Fê-lo andar em tempos que não são daqui, nem de outrora

31 agosto 2008

ser_morto_ser_bom_ser_mal_ser_doce

às vezes quero morrer
só pra ver as pessoas sofrerem por mim
pra saber o quanto sou importante realmente
pra ver quem choraria no velório
mas ai lembro que morto, não vê, não sabe...
quando penso nisso,
lembro que comer alguma coisa doce sempre resolve.
às vezes quero me fazer de santinho
e mostrar pra todo mundo que eu sou bom
bonzinho demais
irritantemente bonzinho demais
muito mesmo
mas ai não sei...
fica chato ser bonzinho demais
assim como é chato ser morto.
[ainda que isso seja puramente presunção]
às vezes quero ser ruim
malvado, maldoso, terrível
gente... não dá
é chato ser mal
gosto mais de comer sonho de padaria
e pensar que o gesto assim como está é bem melhor do que o do morto
e gosto de saber que não sou bonzinho demais
[apesar de poder ser irritante]
e que também não sou mal
[...]
mesmo quando não tenho nada pra escrever
e vomito palavras meio mortas com cara de boazinhas
tentando ser malvadas,
mas que acabam sendo doces
[feito sonho (de padaria)]

06 agosto 2008

o_perfume_da_maria

Encontrei Maria
E Maria ria quando dizia
Que sua casa perfumada
Perfumava mais que a da vizinha
Então Maria ineditamente mente
Mente em forma displicente
Contorce estórias retorcidas
Contando contos da carochinha
De certo que Maria então vivia
Em casa, de vero, perfumada
Maria fumava, passava, entornava
Maria alisava, escorria, acendia
Maria, que em tudo que há perfumava
Onde tudo era perfume, em casa de Maria

de_quando_vi_maria

Percebi Maria
Maria que me inspira
Maria que me diverte
Em mim Maria que arrepia
Me inspiro com Maria, como o tempo
Maria é o doce do lamento
Percebi quando vi Maria andar no vento
E então Maria não saiu do pensamento
Inspirei Maria, fiz cada linha com seu nome
Diverti Maria, em meio a seu lamento insone
Arrepiei de novo ao ver Maria contra o vento

imagens_do_arraial_imaginário

Bolhas voavam sobre o tapete
Contra o vento o fogo ardia na fogueira
Crianças dançavam por entre as bolhas
E por entre as crianças dançava o vento
Olhei crianças queimando vivas
Com bolhas nascendo por todo o corpo
Cabelos enrolam, correndo do fogo
E os gritos ardiam queimando o tempo todo
Saí sentindo o cheiro da carne queimada
E em meu rosto senti o apelo do vento
O tapete, inexato, pairava em descanso
E as bolhas dançavam no meu pensamento

27 julho 2008

na_coxa_esquerda

Eu desenhava nas coxas
E a cor da caneta se espalhava
Desprendiam-se palavras no canto
Desvencilhavam-se instantes risonhos
A linha havia, aparecia, sumia de molho
E foi num dia distante
Dançavam lindos os pisantes
Podia-se ver lá nos mirantes
Dons insuportavelmente inconstantes
E eu bordava nas bordas
E as contas tantas
Pelas linhas tontas
Traços feitos tortos
Cores bem medonhas
Letras contorcidas
Desenhos distantes
No mirante da minha perna esquerda
Quer saber? Então encontre...

04 julho 2008

E também os mictórios

Azulejos e lavatórios
Dos quais sabem de tanto
Enquanto os dias passam

Podem ser cinco, duas, três
Quantas forem ou quantos quiserem
Esfregam-se entre beijos e língua e mãos
Esfregam-se entre os lavatórios
Embaçam os azulejos
Contorcem-se em sua libido
De sons tão bambos
E de dias tão calmos
A pele, contato, atrito
E são vários, e ao mesmo tempo
E tão diferentes
Inerentes na situação
E são coxas, calafrios
Tantos

E enquanto os dias passam
Mais um tanto ficam sabendo
Azulejos e lavatórios